"Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê". (Rm 10:1-4, grifo meu)Esta passagem da carta de Paulo aos romanos traz à tona as graves conseqüências de se viver uma fé sem entendimento, sem que façamos uso de nossa razão de forma a conectar a Palavra de Deus à nossa realidade diária, especialmente no que se refere à nossa relação com Deus e com Seus planos.É temeroso demais para mim, como cristão evangélico, perceber quão importância Paulo atribui à razão quando declara que nem mesmo um zelo genuíno por Deus pode nos livrar da conseqüência de não se alcançar a Sua justiça, quando não entendemos os Seus planos, especialmente aqueles relacionados à obra de Cristo e o propósito de Sua jornada na terra.Numa época onde as emoções tomaram o papel pertencente à razão (o de determinar através do discernimento espiritual e do entendimento das Escrituras o que vem e o que não vem de Deus), a afirmação de Paulo torna-se extremamente preocupante. As experiências são hoje a prova da verdade, pois não se pergunta mais sé determinada prática ou ensino é verdadeiro, mas questiona-se apenas se “dá certo” ou se "está funcionando".Algo semelhante a isso estava sendo vivido pelos romanos. Tinham a preocupação de estar agradando a Deus, porém desconectados da verdade do Evangelho. A conseqüência disso? Não estavam vivendo uma justiça verdadeira, vinda de Deus, mas uma justiça de homens, que não tinha poder para salvá-los.Note que Jesus é a justiça de Deus, pois é através dEle que somos justificados.Mas para alcançar a Justiça de Deus (Jesus) não basta capricho, é necessário entendimento, é necessário devolver à razão o seu papel dentro do cristianismo que é o de processar as informações do que nos cercam, interpretando-as com o auxílio do Espírito Santo, de forma a vivermos uma fé prática, conectada à verdade do Evangelho de Cristo.Ora, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10:17) e isso significa que ela vem através da compreensão dos planos e princípios de Deus explícitos na Cruz. Ela não vem de experiências sensitivas e Paulo confirma isso no mesmo capítulo da carta aos romanos, quando declara que só é possível invocar o nome de Deus quando ouvimos e entendemos a Palavra de Deus. Invocar, segundo o mesmo contexto, significar viver uma fé com entendimento, a ponto de alcançar justiça, ou justificação (Rm 10:9-14).Reconheço que este é um assunto complexo, que se desenrola por campos pouco explorados em nossas igrejas, nas escolas bíblicas e afins, como a relação entre Antigo Testamento e a nova vida com Cristo, o uso da razão e o papel das emoções, mas os tempos são difíceis e precisamos voltar a experimentar o Evangelho Genuíno de Cristo, a Palavra de Fé e não apenas as sensações buscadas por boa parte de nossa geração. Não podemos correr o risco de viver uma justiça falha, que não provém de Deus.Encerro com um pequeno texto que narra acontecimentos que precederam o grande avivamento em Israel, ocorrido nos tempos de Esdras e Neemias."Todo o povo juntou-se como se fosse um só homem na praça, em frente da porta das Águas. Pediram ao escriba Esdras que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o Senhor dera a Israel. Assim, no dia primeiro do sétimo mês, o sacerdote Esdras trouxe a Lei diante da assembléia, que era constituída de homens e mulheres e de todos os que podiam entender. Ele a leu em voz alta desde o raiar da manhã até o meio-dia, de frente para a praça, em frente da porta das Águas, na presença dos homens, mulheres e de outros que podiam entender. E todo o povo ouvia com atenção a leitura do Livro da Lei. (...) Esdras louvou o Senhor, o grande Deus, e todo o povo ergueu as mãos e respondeu: "Amém! Amém! " Então eles adoraram o Senhor, prostrados, rosto em terra. (...) Leram o Livro da Lei de Deus, interpretando-o e explicando-o, a fim de que o povo entendesse o que estava sendo lido". (Ne 8:1-3, 6, 8, grifos meus)
Façamos então a pazes com a razão, e coloquemos nossas emoções em seu devido lugar, que é o de nos levar a refletir uma nova natureza, fazendo-nos compadecidos do sofrimento alheio.
*** Rui Cavalcante

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